Você é o que você leu em 2012?

livros2012Uma das minhas metas para 2012, redigidas no fim do ano anterior, como todo mundo faz, era ler pelo menos 15 livros. Quando eu falo “ler” alguma coisa, eu tô me referindo a literatura, pelo amor de Deus. Nada de livro técnico, de trabalho ou auto-ajuda, por favor. Pois bem, não consegui cumprir esse objetivo por completo, mas o ano que se foi me apresentou a coisas bem interessantes. Consumi literatura de viagem, fantasia, música e futebol, nada muito diferente do que quem me conhece um pouquinho imaginaria. Mas vou deixar de conversa mole e fazer um breve resumo de minhas impressões acerca do que li no ano passado. A conferir:

  • K2: Vida e Morte Na Montanha Mais Perigosa do Mundo, de Ed Viesturs e David Roberts: comecei a me interessar muito por essas histórias reais de aventura, sobrevivência, determinação, morte e superação desde a época do Natureza Selvagem, do John Krakauer. Este livro aqui reúne oito casos de empreitadas (bem ou mal-sucedidas) ao K2, a montanha mais perigosa do mundo (só é mais baixa que o Everest), que fica na fronteira do Paquistão com a  China. O autor se aprofunda em detalhes de cada expedição, desde a seleção dos candidatos à escolha dos sherpas, ao despreparo de alpinistas, aos choques culturais e às decisões que se mostraram vitais ou fatais à medida em que os escaladores chegavam perto do cume. Muita, mas muita gente morreu ali (só no verão de 2006 foram 13). Viesturs, que é um dos que chegou ao topo do K2 e conseguiu voltar, deixa bem clara sua simpatia e repulsa por vários dos personagens abordados no contexto do livro. Não é um primor de literatura (tem muito desvio da narrativa principal e isso às vezes confunde), mas eu devorei o livro em duas semanas. Daqueles que você fica lendo logo pra saber como terminou aquele episódio.
  • Tragédia no Pólo, de Wilbur Cross: esse livro é muito interessante porque mostra como o contexto político das décadas de 1920 e 1930 influenciou na vida de vários pesquisadores e exploradores italianos e de outras nacionalidades europeias quando parte destes, sob o comando do general italiano Umberto Nobile, participam de uma expedição ao Ártico à bordo de um dirigível. Tudo começa a dar errado quando o “zepelin” sofre um terrível acidente na volta, matando vários tripulantes, deixando outros tantos desaparecidos e mais outros lutando pela sobrevivência. A história do livro não se limita a contar como foram os dias dos que resistiram à queda do dirigível e aguardavam socorro. Mas também relata as diversas tentativas frustradas e mal conduzidas de resgate, via mar, ar e terra, que conduziram a outras tantas tragédias paralelas. Tudo isso em meio ao julgamento popular dos italianos sobre traições, abandonos e pressões políticas. Eu gostei muito do livro.
  • O Viajante Solitário, do Jack Kerouac: o famoso autor de On The Road tenta contar um pouco de suas desventuras na América, Marrocos e Europa, sempre com situações de perrengue e encontrando sujeitos esquisitos no caminho. Apesar de a sinopse parecer interessante, achei o livro bem chato. Na verdade, ainda não sei se sou um fã incondicional do Kerouac ou se apenas o respeito por ter escrito o On The Road. Acho que é mais para a segunda hipótese.
  • Led Zeppelin, do Mick Wall: uma obra-prima para quem quer entender a história não só de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, mas também do estilo musical em si. Costumo dizer que não gosto de quem só fala bem ou só fala mal de alguma coisa. E esse livro é bem isso mesmo. Bota o dedo na ferida (principalmente nas acusações de que Jimmy Page plageava as músicas do Led nos primeiros discos da banda e os excessos e crises que levaram o grupo ao fim em 1980, pouco depois da morte do John Bonham). O livro esmiuça bastante o processo criativo de Page e dá um bom espaço para que John Paul Jones tenha o seu devido reconhecimento como grande músico, o que nem sempre é apontado por críticos e fãs que às vezes reduzem a banda à dupla Page / Plant. Obra de referência.
  • Metallica, a Biografia, também do Mick Wall: é um bom livro para quem gosta da banda. Mas você termina de ler com a sensação de que o Lars é um filhinho de papai que não sabe tocar bateria, que o James é um gênio indomável que nunca soube lidar com a morte do Cliff Burton, que o Kirk Hammet é o cara mais cool do grupo e que o Jason Newsted chorava todos os dias porque sofria bullying dos colegas de banda. O livro tem muita informação e é bem legal. Como ponto negativo, achei o escritor preguiçoso, com a inserção de doses cavalares de falas (aspas, no jargão jornalístico) dos entrevistados, em estruturas gramaticas muito confusas. Em suma: um livro bacana, mas nem se compara ao trabalho que o mesmo Wall fez no livro do Led.
  • O Apanhador nos Campos de Centeio, do J.D. Salinger: este clássico da literatura norte-americana dos anos 40 foi um divisor de águas para sua época. O livro não conta nenhuma grande aventura, mas apenas narra o fim de semana de um moleque classe média que pensa em fugir de casa e a rotina dele enquanto tenta pôr em prática seu “plano infalível”. O garoto não tem nenhum rompante de rebeldia desses vistos no mundo moderno de hoje. E o próprio livro não gera exatamente uma expectativa sobre “o que vai acontecer” ou “como vai terminar”. O título do livro – que é também o mesmo nome de uma música recente do Guns’n’Roses – não dá nenhuma pista sobre do que se trata a trama. E a edição que comprei, em apenas um tom de cinza, não tem texto na orelha nem sinopse na contracapa. Eu li esse livro sob a luz de lanternas enquanto escalava o Monte Roraima, em março do ano passado. Devorei as páginas rapidinho e todo o contexto ainda me deixou com uma ótima impressão dele. Leve, gostoso e despretensioso. Se imaginarmos que ele foi escrito há setenta anos e o autor nunca fez mais nada depois disso, fica ainda mais respeitável.
  • Do inferno ao céu: a história de um time de guerreiros, de Paulo-Roberto Andel: O autor, colunista de esportes, é torcedor fanático do Fluminense e reuniu nesse livro todos os textos que escreveu, sob o calor das vitórias ou o desespero das derrotas, contando a trajetória histórica do escrete tricolor nos anos de 2009 / 2010. Começa com a reação do time que fugiu do rebaixamento em 2009 após uma espetacular e improvável sequência de vitórias e culmina com a conquista do título brasileiro de 2010, que consagrou de vez o Fluminense como o “o time de guerreiros”. Os textos são bem mais do que meros relatos jornalísticos e, se Andel está longe de ser um Nelson Rodrigues, pelo menos esbanja talento, otimismo, paixão, desespero, alegria, frustração e outros tantos turbilhões de emoções em suas frases e palavras. Obrigatório para qualquer tricolor que se preze.
  • As Crônicas de Gelo e Fogo, Volumes I (A Guerra dos Tronos) e II (A Fúria dos Reis),  George R.R. Martin: os dois primeiros livros desta saga que promete ter sete “tomos” (até agora, foram lançados “apenas” os cinco primeiros) são hipnotizantes se você curte história antiga, literatura de aventura, fantasia, etc. Apesar de ser uma obra de ficção, é impossível não associar os personagens e culturas descritas nos mínimos detalhes pelo autor com os povos mongóis, anglo-saxões e outras civilizações que dominaram a Europa Medieval. A história é contada em capítulos focados em personagens específicos. E tem basicamente três frentes: a tal da “Muralha”, onde renegados lidam com mistérios e supostas lendas e monstros que andam sumidos há tempos; o “Leste”, onde um príncipe e uma princesa tentam conquistar apoio do povo adorador de cavalos para reivindicar o trono de volta e ainda retornarem aos tempos de conquistas dos grandes dragões; e o próprio reino de Westeros, varrido por guerras, traições, conspirações, violência, incestos, amores, putarias e disputas entre reis, rainhas, anões, filhos, cavaleiros, etc. Eu adoro esse tipo de história e aventura, e o livro ainda desenvolve bastante as personalidades de vários personagens. Ninguém é “imortal”, nem totalmente bom, nem totalmente mau no reino de Westeros. Mas admito que a leitura dessas obras não é para qualquer um. Com letrinhas miudas e um zilhão de personagens e referências, os livros têm tipo 600, 700 páginas – parece que os próximos volumes são ainda maiores. E as coisas demoram bastante para acontecer. Se você é do tipo ansioso, vai endoidar com a história. Devo me aventurar com o terceiro volume em algum momento de 2013. Ah, claro, desnecessário dizer, mas o seriado baseado no filme ajuda a entender melhor ainda o enredo, apesar de uma ou outra licença poética em relação ao texto original.

E vocês, o que leram, estão lendo ou recomendam ler para 2013? Vale de Paulo Coelho a Cinquenta Tons de qualquer coisa, hehehe….

  1. bom bonito e barato: uma confraria de tolos, de john kennedy toole. o livro mais divertido que li neste ano. o livro mais divertido que li desde o último do reinaldo moraes. vale dar uma espiada. estimas.

  2. Li muito menos livros do que gostaria nesse ano passado. Um deles é “Precisamos falar sobre o Kevin”, de Lionel Shriver. Não vi o filme, mas o livro é denso e tenso em vários momentos. Quase todo mundo sabe que a história gira em torno de um menino que, aos 16 anos, assassina vários colegas da escola onde estudava. Mas é bem mais que isso. Ele fala sobre casamento, carreira e, principalmente, escolhas. A principal delas é a escolha entre ter um filho ou não. Quando a mãe e o pai do Kevin escolhem ter um filho (e foi uma escolha pensada, pesada), percebemos que os motivos que levam as pessoas a terem filhos são os mais diversos e, muitas vezes, egoístas. Esse é um tema que eu gosto bastante de discutir, talvez por isso tenha gostado tanto do livro. Porque acho que muitas pessoas escolhem ser pais ou mães por motivos egoístas: para que a criança venha completar a vida deles, venha fazê-los mais felizes, para terem companhia na velhice, ou para passarem pra frente seus genes tão bons e perfeitos. Indico muitíssimo para quem está na dúvida entre ter filhos ou não.

    • Que surpresa gostosa você por aqui, Aninha.

      Não li esse livro, mas sobre o seu dilema eu tenho uma visão parecida (até certo ponto). Muita gente, como você disse que consta no livro, faz isso quase que como um karma. Sem pensar muito se está preparado ou disposto pra tratar a parada com respnsabilidade.

      Apesar disso, eu quero sim ter vários filhos (as). Mas tem muita coisa que rolar antes ainda.

      Enquanto isso, vamos lendo sobre estes e outros temas, hehehe…

      Volte sempre, querida. Adorei a visita!!! Beijos

  3. A autobiografia do Agassi é muito foda, o cara abre o jogo sobre os bastidores do esporte jogado em alto nível e tal. Quando ele começa a namorar a Steffi Graf e a falar da Agassi Foundation, o livro fica meio morno, bonitinho, mas nada que estrague o resto. Outro maneiro, que está fora de catálogo e tive de comprar pelo Estante Virtual, é “O Pagamento Final”, de um sujeito chamado Edwin Torres. Sim, é o livro que deu origem ao filme homônimo estrelado pelo Al Pacino e dirigido pelo Brian de Palma. É uma ficção que conta a história de vida de Carlito Brigante, um bandido porto-riquenho de Nova York. Na verdade, são dois livros que foram traduzidos em uma edição apenas. A primeira, narrada em primeira pessoa pelo próprio protagonista. A segunda é narrada pelo “narrador” mesmo, hehe. Pra quem curte livros sobre bandidagem, vale a pena.

    • Tenho lido muitas biografias, basicamente de roqueiros e eventualmente alguma coisa de futebol. Não sou fã de tênis, mas vou ficar de olho nessa aí. E no outro também. Deve ser interessante ver a mesma história sob pontos de vistas distintos.

      Valeu, companheiro. Volte sempre!!!

  4. Catcher in the Rye é brilhante. Li, por motivos óbvios, muitos anos atrás e até hoje acho muito bom. No ano passado li o 1Q84, do Haruki Murakami, um verdadeiro tijolo de tão grande. O livro me perturbou um pouco por conta dos personagens bizarros que ele cria. Li, também, A Thousand Splendid Suns, do Khaled Hosseini. Angústia do começo ao fim, mas talvez pelo tema ser muito feminino (repressão talibã à liberdade das mulheres). Como boa feminista que sou, achei o livro encantador e chorei em várias partes (sim, agora choro lendo livros). E do mundo da música, li a autobiografia do Keith Richards. Adorei e tive vontade de ser junkie.

    • Oi Camila,

      Esse do Murakami é bom? é sobre o quê?

      O do Hosseini eu ainda não li nem o best seller.

      Chorar em livros já aconteceu comigo só uma vez, na biografia do Paul McCartney, na parte em que ele conta como soube da morte do Lennon e descreve a angústia, as frustrações e tudo mais. Bem triste.

      Ah, você é junkie!!!!🙂

O que você acha?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s